“É proibido proibir”: O Célebre discurso de Caetano no festival de 1968.

O ano: 1968. O palco: o III Festival Internacional da Canção, da Rede Globo. O Contexto: No ano anterior (1967), Caetano Veloso e Gilberto Gil haviam causado espanto no III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record. Caetano apresentou “Alegria, alegria” acompanhado pelos Beat Boys. Gil cantou “Domingo no parque” com os Mutantes e…

O ano: 1968.

O palco: o III Festival Internacional da Canção, da Rede Globo.

O Contexto: No ano anterior (1967), Caetano Veloso e Gilberto Gil haviam causado espanto no III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record. Caetano apresentou “Alegria, alegria” acompanhado pelos Beat Boys. Gil cantou “Domingo no parque” com os Mutantes e a orquestra de Rogério Duprat. Em ambos os casos, as guitarras elétricas se tornaram o centro da polêmica.

A controvérsia era maior do que o uso de um instrumento. A guitarra elétrica condensava um debate sobre autenticidade, nacionalismo e modernização. Para muitos, ela significava submissão à cultura pop estrangeira. Para Caetano e Gil, ao contrário, a recusa prévia desse universo sonoro revelava um nacionalismo estreito, defensivo e incapaz de compreender que a música brasileira podia crescer justamente pela absorção criativa de influências diversas..

Surgia o Tropicalismo. Mais do que um movimento musical, foi uma intervenção estética e cultural. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé, Torquato Neto e Rogério Duprat, entre outros, passaram a defender uma arte antropofágica: tradição e vanguarda, música popular e cultura de massa, Brasil e mundo, samba e guitarra elétrica. Em vez de procurar uma identidade nacional pura, o tropicalismo apostava na mistura, na apropriação, na ironia e na invenção.

Essa postura produziu reações intensas. Para setores conservadores, o tropicalismo parecia irreverente demais, extravagante demais, sexualizado demais. Ou, para utilizar uma expressão da época, “alienado”.

Parte da esquerda universitária e nacionalista acreditava na música popular como música de protesto e resistência. Caetano e Gil rompiam com essa expectativa.

Zuza Homem de Mello (2003) resumia esta indignação:

“Os estudantes do TUCA, considerados os mais politizados entre os freqüentadores de festivais, não se conformavam que Caetano e Gil não assumissem uma atitude clara de reação ao militarismo e ainda demonstrassem no palco uma certa falta de virilidade que não se coadunava com quem fosse contra a ditadura. A postura máscula de Vandré, um dos ídolos dessa facção, era o oposto. A outra parte do público era dos tropicalistas, tanto simpatizantes, como Augusto de Campos e Décio Pignatari, quanto artífices, como Gal Costa e Torquato Neto, em visível situação de inferioridade numérica e de ânimos bem menos exaltados.

O cenário político: O país vivia sob a ditadura militar desde 1964. Em 1968, o ambiente político era de crescente radicalização: repressão, censura, mobilização estudantil e enfrentamentos nas ruas.

O país vivia sob a ditadura militar desde 1964. Em 1968, o ambiente político era de crescente radicalização: repressão, censura, mobilização estudantil e enfrentamentos nas ruas. No plano internacional, o ano também carregava um forte imaginário de rebeldia, com a contracultura, os movimentos estudantis e os acontecimentos de maio na França dando o tom de uma época que parecia exigir ruptura.

O Festival de 1968: Quando Caetano voltou a inscrever uma canção no Festival de 1968, o terreno já estava preparado para o conflito.

“É Proibido Proibir” foi expressamente inspirada numa frase pintada nos muros de Paris durante os protestos de maio daquele ano.

A França, para mim, tem um apelo particular. Com base na revolta da Sorbonne, escrevi uma das minhas músicas mais autênticas: É Proibido Proibir. O que a França me deu em inspiração, quero pagar em canção. (Caetano Veloso em entrevista à revista Manchete, 1971).

Quando Caetano chegou ao palco, havia mais do que uma mera canção. O figurino de plástico verde, o arranjo, a presença dos Mutantes e a própria encenação corporal compunham uma apresentação pensada para desafiar o gosto dominante e afrontar a previsibilidade.

Carlos Calado (1997) narra o episódio:

Caetano e os Mutantes não esperavam que a reação de seus adversários seria tão violenta. Antes que entrassem em cena, com as mesmas roupas espaciais da eliminatória, a vaia já tinha tomado conta do auditório. Do palco, puderam ver, nas primeiras filas da platéia, os rostos de várias pessoas, algumas até conhecidas, vaiando e gritando com expressões de raiva, de ódio. Muitos pareciam estar ali apenas para agredi-los.

A introdução de ‘É proibido proibir’ ainda não tinha terminado, quando os primeiros ovos, tomates e bolas de papel começaram a cair sobre o palco. Para provocar mais ainda, como já fizera na noite da eliminatória, Caetano entrou rebolando. Inventou uma dança agressivamente erótica, com movimentos pélvicos para frente e para trás, que lembravam uma relação sexual. A resposta dos desafetos também veio quase em forma de coreografia: num movimento coordenado, grande parte da platéia virou as costas para o palco, sem parar de vaiar e gritar.

Os Mutantes não pensaram duas vezes, para retribuir o gentil tratamento que estavam recebendo: sem parar de tocar, também deram as costas para plateia.

O Discurso: A partir daí, a apresentação deixou de ser somente musical e se transformou em confronto aberto. Caetano, visivelmente transtornado com a violência da reação, interrompeu o fluxo normal da canção e começou a falar. O discurso, improvisado em meio ao tumulto, se tornaria histórico.

Caetano narra em seu livro verdade Tropical (2003):

O discurso que improvisei (eu estava tão excitado nos dias que precederam essa segunda apresentação, que nem era capaz de preparar mentalmente uma fala ordenada: as idéias de coisas para dizer se sucediam numa velocidade estonteante) foi moldado pelo sentimento que me inspiravam as caras que eu via na platéia, sua raiva e sua tolice.

Na verdade essas caras tinham desaparecido quase todas, pois logo que os Mutantes iniciaram a introdução a maioria esmagadora dos assistentes volto-se de costas para o palco numa demonstração um tanto assustadora (em retrospecto, admirável em seu ineditismo), no que foram prontamente imitados pelos Mutantes, que passaram a tocar de costas para a platéia. Quando, em substituição à declamação do poema de Pessoa, comecei a falar (a urrar, seria mais adequado dizer) de improviso, alguns espectadores, depois praticamente todos, viraram-se de frente para ver o que estava se passando. À medida que os rostos curiosos – mas nem por isso livres do ódio que os fizera desaparecer – ressurgiam, minha ira e meu confuso entusiasmo cresciam e, numa voz a um tempo descontroladamente insegura e confiantemente profética, eu disse: “Essa é a juventude que diz que quer tomar o poder? Se vocês forem em política como são em estética, estamos fritos”. 

O discurso: Caetano fica perturbadíssimo, defrontando-se com o ódio estampado em alguns assistentes e, em lugar de cantar, inicia um discurso totalmente diferente do que tinha preparado nos estúdios da RGE, a homenagem à atriz Cacilda Becker, perseguida pela Censura e dispensada dos teleteatros da TV Bandeirantes sob a alegação de que sua atuação era subversiva:

Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?

Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada.

Hoje não tem Fernando Pessoa. Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê‑la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu!

Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém.

Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada.

E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês.

O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de Charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana.

Mas eu e Gil já abrimos o caminho. O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso! Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil?

Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas.

E vocês? Se vocês forem… se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! Junto com ele, tá entendendo? E quanto a vocês… O júri é muito simpático, mas é incompetente. Deus está solto!

Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram? Qualificaram a melodia de Gilberto Gil? Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver. Chega!

O pós-discurso: A catarse que envolveu o discurso foi tamanha que foi lançado depois um disco compacto tendo no “lado A” a gravação normal de estúdio e no “lado B”, sob o título “Ambiente de Festival”, a música que não aconteceu.

Segundo Carlos Calado, Nos bastidores, em vez de apoio dos colegas concorrentes, Caetano encontrou um constrangedor silêncio. Com exceção de Dedé, Gil, Sandra e Guilherme Araújo, apenas os jornalistas foram procurá-lo, interessados em entrevistas. Ofendido com a insinuação de que teria plagiado uma canção do ano anterior, o compositor Maranhão ameaçou tomar satisfações com Caetano e Gil, que também apontara a semelhança em uma entrevista. Porém, convencido pela turma do deixa-disso, preferiu comemorar o sucesso de sua Dança da Rosa, de fato, um frevo misturado com dixie-land.

Enquanto isso, Gil comentava a reação da platéia com um repórter do Jornal da Tarde:

Não temos culpa se eles não querem ser jovens. É isso mesmo, querem que a gente cante sambinhas. Mas não tenho raiva deles não, eles estão embotados pela burrice que uma coisa chamada Partido Comunista resolveu por nas cabeças deles”.

Caetano, ainda indignado, dizia aos amigos e a alguns jornalistas que não participaria mais de festivais. Só relaxou um pouco ao ser cumprimentado e abraçado por Lennie Dale. O coreógrafo tinha se divertido muito com a dança provocadora de Caetano, que sugeria o movimento de uma cópula. “Baby, eu adorei! Ainda mais vendo você enrabar toda aquela gente virada de costas”, brincou.

O discurso entrou para a história, foi tema de vestibular e desnudou completamente o conservadorismo de um público que vaiava sem saber exatamente porque vaiava. Augusto de Campos, num artigo publicado na época, vociferou: 

No caso do público do Festival, o desencontro verificado entre a informação nova dos baianos e o código do auditório tem um significado crítico e social, que irá se tornando mais claro à medida que os discos das músicas apresentadas forem sendo ouvidos e consumidos.

A vaia funciona contra os vaiadores, como um “atestado de velhice”, que põe a nu todo um quadro de preconceitos que os induziu à incompreensão e – pior ainda – à intolerância.

O que decepciona, no incidente com Caetano, é que essa incompreensão, levada ao paroxismo, tenha partido da nossa juventude universitária (ou parte dela), pois era esse o público predominante no auditório do TUCA e não “o povo”, como querem fazer crer alguns comentaristas superficiais de última hora.

É preciso ter a coragem de dizer que aqueles que insultaram a mil vozes o cantor só nos deram um espetáculo do mais tolo e irracional histerismo coletivo; que aquele público juvenil instigado por um grupo fascistóide, tapado e stalinista (o novo C.C.C.) teve a comunicação com a mensagem musical obturada, bloqueada, por preconceitos pueris que lhe foram insuflados: contra a roupa, contra o sexo, contra a guitarra elétrica e contra os ruídos incorporados à música.

A tal ponto foi essa obturação, que eles não ouviram nada, e não entenderam nada, e quando ouviram alguma coisa, conseguiram identificar-se, inconscientemente, com o establishment, que a letra, a música, as roupas e o comportamento físico de Caetano visaram a agredir. E aconteceu o impossível: “jovens” defendendo o Sistema com mais ardor e mais firmeza que as nossas bisavós. A Condessa de Pourtalès não teria feito melhor.

Não chegaram nem mesmo a compreender que o Festival era um espetáculo em que todos estavam fantasiados, só que a fantasia de plástico de Caetano, dos Mutantes, de Gil, era ostensiva, não escondia o jogo, enquanto que a de outros era discretamente usada: havia fantasia de robin-hood, de sambista da barra-funda, de jazzman, de estudante, de rapaz simples e muitas outras…

Mas, apesar de tudo, a vaia teve um mérito: conseguiu dar vida e participação real ao texto de Caetano, possibilitou-lhe dizer NÃO ao não e contestar no ato os seus agressores (“Vocês vão sempre, sempre, matar amanhã os velhotes inimigos que morreram ontem” e “se as idéias que vocês têm em política são as mesmas que vocês têm em estética, estamos feitos”). A fala de Caetano, integrada ao happening de sua música, e um contundente documento critico cuja importância transcende a área da música popular para se projetar na história da cultura moderna brasileira, como um desafio da criação e da inteligência, na linha dos pioneiros de 22. E nesse sentido, é fundamental que tenha sido gravada em disco.

“É Proibido Proibir” ficará como um marco de coragem e de integridade artística, apesar de todo o ritual de proibições, que fechou o seu círculo com o veto do Sr. Antônio Marzagão, a quem faltou sensibilidade para compreender que a arte dispensa paternalismos e que aos burocratas não compete policiar a arte, mas simplesmente estimular as suas manifestações. Fez bem Caetano, e foi coerente, não se dobrando às imposições da direção do Festival Internacional da Canção, para que apresentasse a sua canção sem plástico e sem uivos.

O discurso ocorreu em setembro de 1968. Três meses depois, Gil e Caetano eram presos pela ditadura, e, em 1969, forçados ao exílio. Somente após a prisão é que Gil e Caetano passaram a ter algum tipo de simpatia daesquerda mais radical.

Vê-se, pois, o compromisso do Tropicalismo em romper com as estruturas, sair do óbvio e iniciar a principal revolução musical que ocorreu no Brasil. Para aqueles que não conhecem a história e a importância na Música Popular Brasileira.

Mas o fato é que “É proibido Proibir” não ganhou vida própria, nem é uma canção que Caetano tenha incluído no seu repertório. Ele escreveu: “Foi aquele escândalo, mas a canção, eu não achava muito boa. Acho fraca.” (Caetano Veloso. Livro Sobre as letras. Companhia das Letras, 2003).

Em outra passagem, Caetano disse: “Não mudei de opinião. Não acho É Proibido Proibir uma grande canção. Gosto daquela coisa de sim e não, do jeito que está ali, mas é uma canção bem fraquinha. Ela ficou legal pelo que aconteceu em torno dela, mas não pela canção em si. Tanto que nunca foi um sucesso.” (Caetano Veloso. Songbook organizado por Almir Chediak, 1988).

Por isso o discurso ultrapassou o festival. Ele se tornou um documento crítico de uma época. Quando Caetano disse “Se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos”, formulou com precisão rara uma crítica que segue atual: também aqueles que falam em transformação podem se revelar profundamente conservadores quando confrontados com a diferença, com o risco e com a invenção.

Os festivais daquele período não eram apenas concursos musicais. Eram grandes arenas de consagração, disputa simbólica e enfrentamento ideológico. O público universitário ocupava ali uma posição central e frequentemente agressiva. Vaiar fazia parte do ritual. Mas, no caso de “É Proibido Proibir”, a vaia passou do desacordo à tentativa de interdição.

Talvez por isso aquela noite permaneça tão viva na memória da cultura brasileira. O discurso de Caetano não foi apenas um destempero. Foi a reação de um artista que percebeu estar diante de uma forma de conservadorismo travestida de radicalismo. Diante de uma plateia que se imaginava avançada, mas que respondia à liberdade estética com hostilidade, fúria e patrulhamento.

O tropicalismo seguiria seu caminho como a mais importante ruptura estética da música brasileira daquele período. Mas, no palco do TUCA, em 1968, tudo isso apareceu de forma concentrada. Entre vaias, ruídos e improviso, Caetano transformou um momento de hostilidade num dos mais eloquentes gestos de afirmação da liberdade artística na história da nossa música.

Trechos marcantes do discurso

“Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?”

“Vocês estão querendo policiar a música brasileira.”

“Vocês não estão entendendo nada.”

“Vocês são iguais àqueles que foram espancar os atores de Roda Viva.”

“Se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos.”

“Me desclassifiquem junto com Gilberto Gil.”

“Deus está solto!”

Fontes: CALADO, Carlos. Tropicália: A História de Uma Revolução Musical. São Paulo: 34, 1997.;

MELLO, Zuza Homem de. A Era dos Festivais – Uma Parábola . São Paulo: Editora 34, 2003

VELOSO, Caetano. “Verdade tropical”. São Paulo: Companhia das Letras. 2003

VELOSO, Caetano, Sobre as letras. Companhia das Letras, 2003

http://tropicalia.com.br/eubioticamente-atraidos/visoes-brasileiras/e-proibido-proibir-os-baianos

https://caetanoefoda.blogspot.com/2021/04/e-proibido-proibir-caetano-veloso.html

quinta 07 fevereiro 2013 11:15 , em Festivais

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