“Pérola Negra”, de Luiz Melodia, é uma dessas músicas atemporais. Como num diálogo do eu-lírico à pessoa amada, a letra mistura uma série de conselhos e exortações, em que pede que o objeto do desejo tente fazer algumas coisas, muitas das quais com o objetivo de despertar empatia “tente passar pelo que estou passando…/ tente usar a roupa que estou usando”

E continua com um pedido em que a pessoa amada diga ao eu-lírico, seja com sangue escrito num pano, seja num quadro em palavras gigantes… “Pérola Negra, te amo, te amo”, embora o próprio eu-lírico suscite dúvidas se mesmo ama…

Muito se diz sobre quem seria a inspiração da canção, embora pareça, pela letra, que o “Pérola Negra” é o próprio Luiz Melodia. A lenda mais conhecida é que seria um travesti que seria apaixonado por Luiz.

Numa entrevista concedida a José Mauricio Machline, no programa “Por Acaso”, em 2003, ele afirmou:

Luiz Melodia: no dia seguinte, o seguinte falhou – M.O.V.I.N [UP]

Era um travesti muito amigo, muito amigo mesmo. Edilson, não é vivo hoje . e quando eu compus a música, o nome era “My black, meu nego”. O Waly Salomão era muito meu amigo –   como é até hoje – e estava sempre lá no São Carlos onde fui nascido e criado, onde vira e volta ainda visito meus amigos e tal. Ele deu a ideia de pôr o nome do Pérola Negra que era esse travesti né. E daí por diante depois que a música saiu foi sucesso, aconteceu na voz de Gal Costa e enfim ficou conhecida, e aí começou esse papo que eu tinha feito essa música pro Edilson que é esse travesti o Perola Negra no caso.

Mas a história está bem contada no livro que Toninho vaz escreveu sobre Luiz Melodia, chamado “Meu Nome é Ébano”

Foi nessa época (1969) que Luiz compôs a música que representaria um salto de qualidade nas suas composições, algo bem mais elaborado, tanto na letra quanto da melodia. A música foi batizada por ele de “my black, meu nego”, referência ao estilo de certa moça para a qual ele direcionava seus olhares apaixonados. A fonte de inspiração se chamava Marlene Selix, tinha 15 anos e morava na Freguesia, Zona Norte da cidade (Luiz tinha 18 anos na época). Era sobrinha de Antonio, colega de farda de Luiz no quartel. Um dia, Luiz foi conhecer a família do amigo e… aconteceu.

Mas há controvérsias, pois outras duas mocinhas, de nome Rosângela, também foram apontadas por amigos como as verdadeiras pérolas negras. E havia também uma terceira hipótese, um travesti do Estácio chamado pérola negra, que teria inspirado o nome.

Mas a inspiração verdadeira para a música era mesmo a Marlene da Freguesia, como confidenciou Luiz ao programa Fantástico.

Numa entrevista no Fantástico, Luiz Melodia recordou a composição. “Pérola Negra é uma mulher. Mas tinha composto pra uma menina que eu namorava na época em que estava servindo o Exército. A mulher brasileira é uma fonte, posso dizer assim, de inspiração em cinquenta por cento das minhas composições”, disse.

Para o Jornal “o Dia”, em 2013, Melodia disse que compôs “inspirado por uma menina com quem eu saía quando tinha uns 18 anos. Mas eu era o segundo cara. Quando o namorado dela chegava, eu tinha que sair correndo pelos fundos”.

Já em 1970, Luiz tocou, Waly Salomão ouviu a música, adorou, mas foi incisivo em relação à letra: Não precisa ser em inglês. Deve se chamar, Pérola Negra, como está no refrão.

LUIZ MELODIA- PÉROLA NEGRA (ORIGINAL) - YouTube

Waly apresentou Luiz Melodia a Gal Costa, que se impressionou com o talento de Luiz e pediu uma canção a ele.

75 Anos de Waly Salomão — Rádio Senado

Ele então, compôs para Gal a canção “Presente Cotidiano”, cuja letra foi vetada pela censura federal na época. Assim, Waly sugeriu e a música de Luiz melodia escolhida foi “Pérola Negra”, que foi inserido num dos shows icônicos de Gal: “Fa-tal: Gal a todo vapor”.

Presente cotidiano (feat. Gal Costa) - Luiz Melodia - Video - Music Store

Embora Ângela Maria tivesse gravado Pérola Negra em 1971, foi com a voz de Gal que Luiz se torou conhecido,  quase quando estava desistindo da música…

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