A história de Eleanor Rigby

Há algumas histórias curiosas por trás de Eleanor Rigby, gravada pelos Beatles e lançada no disco Revolver, em 1966. A música, que exorta as pessoas a olhar e prestar atenção às pessoas solitárias, conta a história de uma mulher que recolhe o arroz da igreja depois do casamento, e do Padre Mckenzie, que escreve um sermão que ninguém vai ouvir…O destino dos dois se encontra no dia em que Eleanor está morta, na igreja. Ninguém comparece ao enterro. O padre McKenzie se afasta do túmulo e limpa suas mãos.

A canção, que foi um grande sucesso, ainda hoje gera polêmicas, sobre a existência ou não de uma “Eleanor Rigby” real. Steve Turner conta um pouco disso no livro “Beatles- A história por trás de todas as canções”, quando revela que o nome original era Daisy Hawkins…

 

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Assim como aconteceu com muitas canções de Paul, a melodia e as primeiras palavras de “Eleanor Rigby” surgiram enquanto ele tocava piano. Ao se perguntar que tipo de pessoa ficaria recolhendo arroz em uma igreja depois de um casamento, ele acabou sendo levado à sua protagonista. Ela originalmente se chamaria Miss Daisy Hawkins, porque o nome encaixava no ritmo da música.

Paul começou imaginando Daisy como uma jovem, mas logo percebeu que qualquer uma que limpasse igrejas depois dos casamentos provavelmente seria mais velha. Se ela era mais velha, talvez fosse uma solteirona, e a limpeza da igreja se tornou uma metáfora para suas oportunidades de casamento perdidas. Então ele a baseou em suas lembranças das pessoas mais velhas que conheceu quando era escoteiro em Liverpool.

Paul continuou a pensar sobre a música, mas não estava confortável com o nome Miss Daisy Hawkins. Não parecia suficientemente “real”. O cantor de folk dos anos 1960 Donovan lembra que Paul tocou para ele uma versão da música em que a protagonista se chamava Ola Na Tungee. “A letra ainda não estava terminada para ele”, conta Donovan.

Ele sempre dizia que optou pelo nome Eleanor por causa de Eleanor Bron, atriz principal de Help!. O compositor Lionel Bart, porém, estava convencido de que a escolha tinha sido inspirada por uma lápide que Paul viu no Putney Vale Cemetery, em Londres. “O nome na lápide era Eleanor Bygraves”, conta Bart, “e Paul achou que se encaixaria na música. Ele voltou para o meu escritório e começou a tocá-la no clavicórdio.”

Eleanor Bron com os Beatles

O sobrenome surgiu quando Paul deparou com o nome Rigby em Bristol em janeiro de 1966, durante uma visita a Jane Asher, que estava fazendo o papel de Barbara Cahoun em The Happiest Days Of Your Life, de John Dighton. O Theatre Royal, casa do Bristol Old Vic, fica no número 35 da King Street e, enquanto Paul esperava Jane terminar o trabalho, passou por Rigby & Evens Ltd, Wine & Spirit Shippers, que ficava do outro lado da rua, no número 22. Era o sobrenome de duas sílabas que ele estava procurando para combinar com Eleanor.

A música foi concluída em Kenwood quando John, George, Ringo e o amigo de infância de John, Pete Shotton se reuniram em uma sala cheia de instrumentos. Cada um contribuiu com ideias para dar substância à história. Um sugeriu um velho revirando latas de lixo com quem Eleanor Rigby pudesse ter um romance, mas ficou decidido que complicaria a história. Um padre chamado “Father McCartney” foi criado. Ringo sugeriu que ele poderia estar cerzindo as próprias meias, e Paul gostou da ideia. George trouxe a parte sobre “as pessoas solitárias”. Paul achou que deveria mudar o nome do padre porque as pessoas pensariam se tratar de uma referência ao seu pai. Uma olhada na lista telefônica trouxe “Father McKenzie” como alternativa.

 


Depois, Paul ficou tentando pensar em um final para a história, e Shotton sugeriu que ele unisse duas pessoas solitárias no verso final, quando “Father McKenzie” conduz o funeral de Eleanor Rigby e fica ao lado de seu túmulo. A ideia foi desconsiderada por John, que achava que Shotton não tinha entendido a questão, mas Paul, sem dizer nada na época, usou a cena para terminar a música e reconheceu mais tarde a ajuda recebida.

 

Interessante que, na década de 80, foi encontrada uma lápide de uma Eleanor Rigby no cemitério de St Peter’s, Woolton, bem próximo ao local em que John e Paul tinham se conhecido no festival anual de verão, em 1957. Woolton é um subúrbio de Liverpool e Lennon conheceu McCartney em uma festa na Igreja de São Pedro. 

Eleanor Rigby

Assim, foram atrás da história da “real” Eleanor Rigby, que Nasceu em Eleanor, que nasceu em 29 de agosto de 1895, no 8 Vale Road, em Wolton.

Eleanor Rigby, que na verdade, era Eleanor Rigby Whitfield, morreu quando Eleanor ainda era criança. Sua mãe casou-se novamente, e teve duas filhas, irmãs de Eleanor: – Edith e Hannah Heatley.

Interessante que Eleanor, para os padrões da época, demorou-se a casar, o fazendo apenas em 1930, aos 35 anos de idade, com Thomas Woods, um capataz de ferrovia com 17 anos de idade.

Eleanor não teve filhos. Em 10 de outubro de 1939, um mês após o início da Segunda Guerra Mundial, sofreu uma enorme hemorragia cerebral.

 

Paul sempre deixou bem claro que Eleanor Rigby foi uma personagem fictícia, inventada, embora se especule que Paul tenha visto a lápide na adolescência, e o som do nome tenha ficado em seu inconsciente até vir à tona pelas necessidades da canção. Na época ele afirmou: “Eu estava procurando um nome que parecesse natural. Eleanor Rigby soava natural”.  

beatles

Há, em Liverpool, uma estátua da Eeleanor Rigby fictícia, numa homenagem a todas as pessoas solitárias…

 

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Outra Curiosidade: O Father Mckenzie iria se chamar Father McCartney, mas Paul teria ficado receoso que seu pai, convertido ao catolicismo, pudesse interpretar mal a referência, ele escolheu o sobrenome numa lista telefônica. 

A tradução:

 

 

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

 

Eleanor Rigby, apanha o arroz na igreja

Onde um casamento aconteceu

Vive em um sonho

Espera na janela

Vestindo um rosto que ela guarda num jarro perto da porta

Para quem é?

 

Todas as pessoas solitárias

De onde todas elas vêm?

Todas as pessoas solitárias

A que lugar todas elas pertencem?

 

Padre McKenzie, escrevendo as palavras de um sermão

Que ninguém vai ouvir

Ninguém chega perto

Olhe para ele trabalhando, remendando sua meias à noite

Quando não há ninguém lá

O que é importante para ele

 

Todas as pessoas solitárias

De onde todas elas vêm?

Todas as pessoas solitárias

A que lugar todas elas pertencem?

 

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!

 

Eleanor Rigby morreu na igreja

E foi enterrada junto com seu nome

Ninguém veio

Padre McKenzie limpando a sujeira de suas mãos

Enquanto caminha do sepulcro

Ninguém foi salvo

 

Todas as pessoas solitárias

De onde todas elas vêm?

Todas as pessoas solitárias (Ah, olhe para todas as pessoas solitárias!)

A que lugar todas elas pertencem?

 

 

 

 

 

Fontes:

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1088454/REVEALED-The-haunting-life-story-pops-famous-songs–Eleanor-Rigby.html

Steve Turner: Be

“Naquela Mesa”. A saudade de um filho (Sergio Bittencourt) após a morte do pai (Jacob do Bandolim

Consta que esta música foi composta pelo filho no dia da morte do pai, escrita num guardanapo. Apenas isso seria suficiente para que essa música tivesse uma história. Mais ainda quando o seu compositor, Sérgio Bittencourt, é filho de Jacob do Bandolim, um verdadeiro ícone da música brasileira de todos os tempos.

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Está relatado no sítio digital do próprio Jacob que, No dia em que Jacob estaria completando 60 anos (que completaria em 14 de fevereiro de 1978, se vivo fosse), o jornalista Jésus Rocha, de Última Hora, à época editor do “Segundo Caderno”, pediu ao filho, Sérgio, um depoimento sobre o pai.

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Jacob do Bandolim

Ao correr da máquina, Sérgio Bittencourt, jornalista e compositor, escreveu comovente texto acerca da pessoa de Jacob do Bandolim. Trago aqui três pequenos trechos do filho sobre o pai:

O que fiz por ele, fiz e não digo. O que fez por e de mim, foi um tudo. Me lembro: jamais me mentiu. Era capaz de esbofetear um mentiroso, apenas pela mentira. Fosse de que gravidade.

De tudo que me ensinou, certo ou errado, hoje, dentro dos meus já então parcos e paupérrimos preconceitos, retiro, inapelavelmente, uma solução, uma saída, uma parada para pensar, um pouco de coragem para enfrentar, muita coragem para não “aderir” – na última das hipóteses, um sofisma, uma frase feita – estamos conversados!


Aos 37 anos de idade, descrente e exausto, sem Deus nem diabo, é que posso afirmar: Jacob Pick Bittencourt foi mais do que um pai. Do que um amigo. Do que um Ídolo. Foi e é, para mim, um homem.

Com todas as virtudes, fraquezas, defeitos e rastros de luz que certos homens, que ainda escrevemos com “agá” maiúsculo, souberam ou sabem ser. E homem com H maiúsculo, para mim é Gênio.

Tenho certeza e assumo: não sou nada, porque, de fato, não preciso ser. Me basta ter a certeza inabalável de que nasci do Amor, da Loucura, da Irrealidade e da Lucidez de um Gênio.

Um belo depoimento de um filho sobre o pai, sem sombra de dúvida… mas, como digo, as notas de uma canção podem, numa fração de segundo, exprimir sentimentos que mil palavras não conseguem descrever. E a maior homenagem do filho para o pai foi a canção “Naquela mesa”;

[

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquele mesa ta faltando ele
E a saudade dele ta doendo em mim
Naquela mesa ta faltando ele
E a saudade ele ta doendo em mim

É inevitável: ouvir essa música e lembrar do seu pai, do seu avô, de alguém querido que se foi. A música materializa a saudade numa mesa. Na mesa onde o pai sentava e, dono da verdade, dava conselhos sobre a vida e contava histórias. O pai que reunia as pessoas em volta de si e carregava consigo a admiração do filho.

E a mesa é uma metáfora, uma personificação, um metonímia, ou quantas figuras de linguagem quisermos, da saudade. A mesa vazia traz as lembranças e a dor do pai que se foi. E a saudade do pai dói….

Reparem como na primeira parte da música se faz referência nostálgica de tudo o que o pai fazia na mesa, e na segunda parte, só resta a dor da saudade e da mesa vazia.

A música foi gravada inicialmente pela “Divina” Elizeth Cardoso, depois por Nelson Gonçalves, e, mais recentemente, pelo cantor Otto.

Tristemente, Sérgio Bittencourt morreu pouco mais de um ano após escrever o texto para o pai, no dia 9 de julho de 1979

sábado 08 outubro 2011 08:20 , em Músicas e Homenagens

No meu pé de serra. A primeira parceria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

No meu pé de serra” é um forró que consagra a primeira parceria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.  A música faz referência à saudade da vida no sertão. É escancaradamente nostálgica, numa alusão  ao coração deixado lá no “pé de serra”. Parece que o forró clássico, tradicional, à moda de Luiz Gonzaga, tem algo de nostálgico, inocente, tem-se a impressão que a canção de amor em ritmo de xote é mais singela, a saudade do baião é mais intensa, a alegria do xaxado é mais pura.

E quando a gente ouve essa música, parceria de Gonzagão com  Humberto Teixeira, gravada em 1947, a gente sente viva essa nostalgia do sertão. A canção retrata uma visão romântica, idílica, da vida no sertão, onde o trabalho é duro, mas ali se tinha tudo o que quisesse, com especial destaque para o xote de toda quinta-feira, em que se gruda numa cabocla, enquanto o fole começa… e parece não parar.

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No livro  O Fole roncou – uma história do Forró, dos jornalistas Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues, há um pouco da história da canção:

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“Cearense de Iguatu, radicado no Rio de Janeiro desde os 15 anos, o advogado Humberto Teixeira conseguiu fazer Gonzaga perder a vergonha de ‘mostrar as coisas que tinha trazido do mato” e parar de pensar que ‘ninguém na cidade iria se interessar por aquelas musiquinhas’.

Na verdade, era a terceira tentativa do sanfoneiro de arranjar um letrista constante para as melodias que carregava na memória. (…) 

Chegou Humberto Teixeira por meio do cearense Lauro Maia, convidado a se tornar parceiro Luiz Gonzaga a partir de um desafio

 –  Eu quero cantar as coisas da minha terra e preciso de alguém que me ajude a decantar a vida da minha gente” (Luiz Gonzaga)

Lauro Maia respondeu:

– Gonzaga, gosto muito de sua voz, só que não sou letrista para os motivos que você tem. Mas tenho um cunhado que vai resolver seu problema”.

Colocou Gonzaga em contato com Humberto Teixeira, que tinha alguma experiência como letrista de sambas e outros ritmos. No primeiro encontro, o sanfoneiro pediu:

– Eu tenho um tema aqui pra você botar uma letrinha: No meu pé de serra.

Na mesma hora Humberto Teixeira pôs uma folha de papel em cima do joelho e escreveu uma letra. Gonzaga leu e gostou. Teixeira advertiu:

– Mas essa não é a letra definitiva”

Gonzaga respondeu:

– Peraí, nessa você não vai bulir mais não! A letra é essa!”

E Teixeira retrucou:

– Não, depois eu lhe dou a letra definitiva”

E assim fez, para a contrariedade de Gonzaga, que queria de todo jeito a letra original.

Na música, gravada em novembro de 1946 e lançada em março de 1947. Humberto Teixeira desenvolve uma temática que se tornaria recorrente: a dor da ausência.

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É inevitável a comparação com o romantismo literário do século XIX, na primeira fase indianista:  a música passa a sensação de que a vida lá no sertão era muito melhor… afinal, se esquecem as agruras, a seca, a fome, a pobreza da vida no agreste, e só restam aquelas noites de quinta-feira, após um dia cansativo de trabalho, com um xote e uma cabocla… pra que mais?

Por isso que a nostalgia vem da alegria, do xote que é bom (e lá vem as palmas)/ de se dançar (mais palmas)… Talvez por isso o forró (que muitos chamam de “pé de serra”)guarda aquele veio de ternura nas suas canções… elas remetem ao amor, às saudades, ao interior, ao sertão, ou seja, remetem à pureza de sentimento… muito bom pra se dançar….

As canções , Humberto Teixeira enfatizava, não eram propriamente criadas, mas resgatadas de algum lugar da memória de Luiz Gonzaga.

 

A letra…

Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração
Ai, que saudades tenho
Eu vou voltar pro meu sertão
No meu roçado trabalhava todo dia
Mas no meu rancho tinha tudo o que queria
Lá se dançava quase toda quinta-feira
Sanfona não faltava e tome xote a noite inteira
O xóte é bom
De se dançar
A gente gruda na cabôcla sem soltar
Um passo lá
Um outro cá
Enquanto o fole tá tocando,
tá gemendo, tá chorando,
Tá fungando, reclamando sem parar.. 

terça 21 junho 2011 04:13 , em Forró

That Thing You Do!! A história da maior banda que nunca existiu

Com o título em português “The Wonders: o sonho não acabou”, o filme “That Thing You Do”, gravado em 1996, conta de maneira divertida a história da ascensão de uma banda de rock em meados dos anos 60.

O filme foi produzido e dirigido por Tom Hanks, contagiado pelo clima “beatlemaníaco”. A película narra a história de ascensão de uma banda de rock do interior da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O conjunto musical se chama inicialmente “Oneders“, numa alusão ao número 1 (one), mas que terminou se chamando “The Wonders”.

Os quatro atores que formavam a banda The Wonders no filme tocaram juntos durante várias semanas antes do início das filmagens, para que pudessem se entrosar como se fossem uma banda verdadeira. Porém, pa maioria das cenas do filme eles são dublados por músicos verdadeiros.

A cena abaixo é clássica, quando a música da banda toca na rádio pelo primeira vez…

O filme tem personagens e suas funções bem marcadas: tem um vocalista talentoso e egoísta, um guitarrista interessado apenas em mulheres e um baixista que está apenas esperando para se alistar no exército. O vocalista tem uma namorada, interpretada por Liv Tyler, que é apaixonada por música.

O baterista original da banda quebra o braço, e é chamado Guy Patterson (interpretado por Tom  Everett Scott) para substituí-lo numa competição de bandas. Guy trabalha numa loja de eletrodomésticos, também adora música e namora uma bela e tradicional moça (interpretada por Charlize Theron).

Na hora da apresentação, quando o novo baterista vai “puxar” o ritmo da canção-título (That Thing You Do), originalmente uma balada romântica, faz uma batida típica do rock dos anos 60, no que é inicialmente repreendido pelo compositor-vocalista, mas, no decorrer da apresentação, se torna o maior sucesso.

“That thing you Do”,  então, começa a se tornar um hit. 

 

Daí, surgem as primeiras apresentações, a prensagem do primeiro disco, a cena em que a música toca na rádio pela primeira vez, até a banda ser contratada (pelo personagem interpretado por Tom Hanks), a escalada do sucesso na Billboard e as crises internas a partir dos traços de personalidade de cada um dos membros da banda, tudo isso mesclado com uma série de canções que evocam o clima dos anos 60.

O roteiro não é imprevisível, o filme não é uma obra de arte, mas não deixa de ser uma celebração aos anos 60 e suas músicas, tanto que That Thing you do foi indicada ao Oscar de melhor canção original no ano de 1996.

Escrita e composta por Adam Schlesinger, baixista dos grupos Fountains of Wayne e Ivy, e lançada na trilha sonora do filme, a canção se tornou um genuíno hit da parada de sucessos com o disco The Wonders de 1996 (a música chegou a 41ª no Billboard Hot 100, 22ª no Adult Comtemporary, 18ª no Adult Top 40, e 24ª na Top 40 Mainstream).

Em abril de 1997, o elenco voltou a se reunir para cantar “that thing you do!” em Londres

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Vale não só pela canção-título, mas pela trilha sonora… e por trazer e manter vivo aquele sonho adolescente de formar uma banda de rock de sucesso…

 

 

domingo 17 junho 2012 05:36 , em Música e cinema

Baby Consuelo e Pepeu Gomes – Barrados na Disneylandia

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Pepeu Gomes e Baby Consuelo formaram certamente o casal mais divertido da música brasileira. Da realidade Hippie dos Novos Baianos da década de 70, eles viraram um símbolo do rock, com seu estilo punk, com seus filhos com nomes alternativos (Riroca – que depois mudou para Sarah Sheeva – Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Baby e Pedro Baby), seus cabelos coloridos e visual extravagante típico da década de 80.

O visual que eles usavam era tão espalhafatoso que eles chegaram a ser barrados na Disney. Baby contou recentemente o fato, numa entrevista a Fernanda Young:

 

 “Eu estava grávida de sete meses do meu quinto filho e fui com o Pepeu toda colorida, do cabelo até os pés, para a Disney. Era quatro de julho e depois que compramos o ticket, quando estávamos para entrar, vi um carrinho tipo uma prisão, era tão bonitinho que eu pensei ser um carrinho qualquer do parque. O cara começou a falar inglês comigo e eu não entendia nada. Uma pessoa traduziu para mim e disse que estávamos sendo barrados por chamar mais atenção do que os brinquedos do lugar. Adorei! Me acabei de rir!”.

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Em uma entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo, há alguns anos, Pepeu comentou sobre o episódio: “Fui barrado na Disney por ter o cabelo com sete cores, e foi uma discriminação. Naquela época já daria processo, a gente é que amarelou. Mas era meu sonho de criança, fiquei chorando na porta. Foi uma coisa séria aquilo.”

domingo 03 outubro 2010 03:04 , em Anos 80

Neide Candolina

No disco Circuladô, em 1991, Caetano fez uma canção homenageando uma mulher “preta, linda e chique” , dotada de características peculiares, dona de um carro como fruto de seu trabalho de professora, e que nunca furou o sinal.

A canção contrasta a beleza e a elegância da mulher com a “suja” Salvador, e a referência a uma expressão de baianês, que é “brau”, derivativo de “brown”, que significa algo de baixo nível, de certo modo racista, para referir-se a um lugar onde se encontram pessoas pobres e de baixo nível. Caetano subverte a expressão “brown” para mostrar a beleza, a nobreza e a elegância dessa mulher,  que na verdade são duas:

A primeira é Neide Santos, chef do restaurante Africano Yorubá, no Rio de Janeiro, que Caetano conheceu quando ela era bem jovem, por intermédio de Antonio Risério

Neide é referência no Rio, quando se trata das delícias da comida baiana

A segunda foi sua professora de português, Candolina Rosa de Carvalho Cerqueira, Professora primária aos 18 anos, pela Escola Normal da Bahia, graduou-se em Línguas neolatinas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFBA, em 1949.

Em 1950, casou-se com Francisco de Morais Cerqueira, com quem teve cinco filhos. Francisco morre prematuramente, deixando a esposa viúva aos trinta e oito anos de idade, com os filhos eram pequenos. Foi mestra de Língua Portuguesa para várias gerações de baianos, em tradicionais colégios de Salvador – Colégio Central da Bahia, Colégio Severino Vieira, Colégio Marista – e permaneceu na memória de seus alunos. Morreu em 1973, aos 51 anos, vítima de um câncer de mama. Ela nomeia a escola da  rede estadual de ensino da Bahia, no bairro de Pau Miúdo.

Da mistura das duas nasceu Neide Candolina, a música que homenageia essas duas belas mulheres. Caetano conta, em “sobre as letras”, a história:

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“Neide é uma mistura de duas pessoas pretas da Bahia. Uma é Neide, minha amiga, que hoje em dia tem um restaurante no Rio de Janeiro chamado Iorubá. Eu a conheci quando ela tinha dezoito anos. Quem me apresentou foi um amigo, Antonio Risério, que é poeta e ensaista. Ele disse: “Você tem que conhecer a Neide e o pessoal dela, é uma gente maravilhosa, vamos ao Zanzibar! Eu disse a ela que a gente ia descer lá hoje”. Então, descemos onde ela morava, embaixo do restaurante que pertencia à família dela. E, quando chegamos, ela estava nua em pelo! Linda! Perfeitamente linda! Estava ouvindo um disco do Djavan. Ela me falou: “Você gosta do Djavan? Você quer um pouquinho de coca-cola?”. Assim, totalmente social. Conversava, cruzava as pernas, pegava as coisas, mostrava revistas, comentava, mudava a faixa do disco, nua, elegantíssima, social, sem qualquer escândalo. Ela tinha ficado nua em casa porque estava calor em Salvador, e não tinha certeza se Risério ia mesmo lá naquele dia. Mas também não quis se vestir quando chegamos, não se assustou. A outra pessoa que entrou na composição de Neide Candolina foi minha professora de português, a mais importante de todas, Dona Candolina. Então eu misturei o nome das duas e criei uma personagem negra, baiana, moderna.

 

O mais interessante é que aparece a palavra brown aqui, que é uma palavra que, na Bahia, era usada de modo pejorativo. Nos anos 70, 80, dizia-se: “está muito brown isso aqui; a praia está muito brown”, porque tinha muito preto, era muito baixo nivel, uma coisa cafona e pobre. Os pretos se chamavam de brown por causa de James Brown. Por isso que Carlinhos Brown é Carlinhos Brown, Mano Brown é Mano Brown; tudo vem de James Brown.

E como os pretos se chamavam de brown uns aos outros, a gíria pegou e a classe mádia “branca” começou a usar a palavra brown como quem diz “cafona” na Itália.

 

Preta chique, essa preta é bem linda

Essa preta é muito fina

Essa preta é toda glória do brau

Preta preta, essa preta é correta

Essa preta é mesmo preta

É democrata social racial

Ela é modal

Tem um Gol que ela mesma comprou

Com o dinheiro que juntou

Ensinando português no Central

Salvador, isso é só Salvador

Sua suja Salvador

E ela nunca furou um sinal

Isso é legal

E eu e eu e eu sem ela

Nobreza brau, nobreza brau

Preta sã, ela é filha de Iansã

Ela é muito cidadã

Ela tem trabalho e tem carnaval

Elegante, ela é muito elegante

Ela é superelegante

Roupa Europa e pixaim Senegal

Transcendental

Liberdade, bairro da Liberdade

Palavra da liberdade

Ela é Neide Candolina total

E a cidade, a ba¡a da cidade

A porcaria da cidade

Tem que reverter o quadro atual

Pra lhe ser igual

E eu e eu e eu sem ela

Nobreza brau, nobreza brau

 

 

[Caetano Veloso, Sobre as letras, Editora Schwarcz, São Paulo, 2003]

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Candolina_Rosa_de_Carvalho_Cerqueira

Belchior x Raul Seixas…

 

Reza uma lenda que Raul Seixas teria composto sua famosa canção “eu também vou reclamar” numa clara crítica à postura de determinados artistas, entre os quais se encontraria Belchior.

Mas é que se agora/Pra fazer sucesso/Pra vender disco/De protesto/Todo mundo tem/Que reclamar…”

Belchior, em resposta, teria escrito a belíssima “A palo seco” como uma suposta réplica a Raul, em que vociferava:

Se você vier me perguntar por onde andei/No tempo em que você sonhava/De olhos abertos lhe direi/Amigo eu me desesperava/Sei que assim falando pensas/Que esse desespero é moda em 73/Mas ando mesmo descontente/Desesperadamente eu grito em português”  

É uma história divertida, mas que não se sustenta em fatos, vez que A Palo seco foi gravada por Belchior em 1974 (no disco Mote e Glosa), e Eu também vou reclamar foi gravada apenas em 1976…

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Na verdade, me parece mais o contrário. Raul Seixas, quando compôs “Eu também vou reclamar” ele criticava um certo modismo da música brasileira de fazer protestos, como apenas uma forma de vende discos. Na canção, há referências implícitas a Belchior:

 Raul diz: Não há galinha em meu quintal” “E nem sou apenas o cantor”, “sou um rapaz latino-americano”a duas canções de Belchior, além de criticar a voz do cearense, chamando-a de “chata e renitente”, Raul ironicamente sentencia:

Eu já cansei de ver o sol se pôr / Agora sou apenas um Latino-Americano Que não tem cheiro nem sabor / (…) / Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha / Porque eu sou um rapaz Latino-Americano / Que também sabe se lamentar”.

Raul se refere, na verdade, às canções de Belchior:  “Apenas um rapaz latino-americano” e “Galos, noites e quintais”. 

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Mas a crítica não é somente a Belchior. Ele também considera chato Silvio Brito e sua música “Pare o mundo que eu quero descer”, bem como a “Nuvem Passageira”, de Hermes Aquino.

Percebe-se, portanto, que quem responde é Raul, pois se percebe que Belchior, em “Alucinação”, diz que não está interessado em  nenhuma teoria, nem tampouco em “romances astrais” , como refere Raul Seixas em “Trem das sete”. 

Portanto, assim como Noel Rosa e Wilson Batista, Belchior e Raul trocaram também suas farpas… quem tem razão? O “rapaz latino americano” ou quem fala do mal e o bem num “romance astral?”

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O fato é que, em 1984, a polêmica parecia superada, pois Belchior gravou “Ouro de Tolo”, de Raul…

Fontes: http://www.incomunidade.com/v22/art.php?art=19

Eu também vou reclamar

terça 16 setembro 2014 12:33 , em “Rivalidades” Musicais

Gentileza – Marisa Monte. O profeta e os muros pichados que inspiraram a canção.

 

Existe uma figura lendária, que andava pelas ruas do Rio de Janeiro, até seu falecimento, em 1996, aos 79 anos. Trata-se do “Profeta Gentlieza”, um andarilho que era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Sua frase mais conhecida: “Gentileza gera Gentileza”

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A partir da década de 80, o “Profeta Gentileza” escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, no Rio de Janeiro, e a preencheu com diversas inscrições em verde-amarelo, que ressaltavam sua visão de mundo. Tratava-se de um verdadeiro ponto turísitico com a fiolosofia do andarilho.

Só que os escritos do profeta Gentileza foram depredados, não só por pichadores, mas pelo próprio poder público. E aí Marisa monte conta de que maneira a canção Gentileza foi composta: (http://www.formspring.me/mmprocuresaber)

Uma vez, estava passando pela área do Cais do Porto aqui no Rio com meu amigo Carlinhos Brown. Como ele não é do Rio, eu quis mostrar pra ele algo especial da minha cidade que eu sabia que ele ia gostar.
 

Foi quando eu procurei nos pilares do Viaduto do Caju, os escritos do Gentileza, figura que me fascinava e que eu conhecia desde a infância.

Qual não foi minha decepção quando vi que eles haviam sido apagados pela cia. de limpeza urbana do Rio. Fiquei desolada pensando nos inúmeros significados desse ato numa metrópole como o Rio. O legado do Profeta Gentileza havia desaparecido pra sempre.

Na mesma noite, compus “Gentileza”. “Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza…”
Minha voz se uniu a muitas outras e, hoje, graças ao trabalho do Prof. Leonardo Gelman da ONG Rio Com Gentileza, a obra do Profeta está linda, restaurada e faz parte do inventário afetivo da cidade.

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A inspiração da canção, e o belo resultado em decorrência.

Apagaram tudo,
pintaram tudo de cinza.
A palavra no muro
ficou coberta de tinta.

Apagaram tudo,
pintaram tudo de cinza.
Só ficou no muro
tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
pelas ruas da cidade,
merecemos ler as letras
e as palavras de Gentileza.

Por isso eu pergunto
à você no mundo,
Se é mais inteligente
o livro ou a sabedoria.

O mundo é uma escola.
A vida é o circo.
“Amor” palavra que liberta,
já dizia o Profeta.”

sexta 18 maio 2012 11:53 , em Músicas e Homenagens

“Não planto capim guiné, pra boi abanar rabo…”

Em 1983, Raul Seixas gravou, no disco “Carimbador Maluco”, uma música que transita entre o baião e uma moda de viola: trata-se de “Capim Guiné”, feita em parceria com Wilson Aragão, baiano da Piritiba narrada na canção.

A música, cantada a partir de um eu-lírico do sertão, faz referência ao esforço que fez para que o sítio tivesse sucesso, quando de repente uma série de intempéries, bichos e pragas estão destruindo a roça….

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A canção é praticamente toda de  Wilson Aragão, compositor de Piritiba, tendo Raul mudado pequenos trechos da letra. Ele conta, numa entrevista ao Soterópolis, sua experiência com Raul:

“Eu conversei com Raul tímido, eu ficava mais escutando Raul falar do que eu falava. Porque Raul era um cara que a abeça dele era a mil, filosofava demais, ele questionava as coisas demais, eu ficava um pouquinho assustado. Então a primeira música eu já tinha feito ela, a música tava pronta, Raul fez, ‘não velho, deixa eu botar o nome de tua terra nessa música, Piritiba vai ficar conhecida no Brasil todo’, então, ele interferiu na letra, que era “Comprei um sítio/Plantei Jabuticaba/dois pé de guabiraba”, ele disse ‘plantei um sítio no sertão de Piritiba”, mas aí, dois pé de que, Raul? “já achei uma planta misturou minhas guabiraba com pindaíba saiu guataíba…” 

Wilson Aragão já tinha composto Capim Guiné e tocava as música nos barzinhos do interior da Bahia desde 1979.

O interlocutor do eu-lírico, a quem ele se refere como “cumpade”, pode ser um vizinho, amigo, que está vendo tudo e fica parado, inerte, “com cara de veado que viu caxinguelê”, mas pode ser também um diálogo com Deus, meio que reclamando da má-sorte da lavoura.

Mas existe um fato por detrás da canção.

Era época da ditadura militar, o compositor “retado da vida” porque o pai perdeu as terras para grileiros, e que tiveram que “vender tudo e sair corrido”

Na verdade, cada um dos animais era um personagem: “um deputado, um gerente de banco, até o Presidente da República”

Fonte: http://www.irdeb.ba.gov.br/soteropolis/?p=11332

Plantei um sítio
No sertão de Piritiba
Dois pés de guataiba
Caju, manga e cajá

Peguei na enxada
Como pega um catingueiro
Fiz acero, botei fogo
“Vá ver como é que tá”

Tem abacate, jenipapo
E bananeira
Milho verde, macaxeira
Como diz no Ceará

Cebola, coentro
Andu, feijão-de-corda
Vinte porco na engorda
Até o gado no currá

Com muita raça
Fiz tudo aqui sozinho
Nem um pé de passarinho
Veio a terra semeá

Agora veja
Cumpadi, a safadeza
Cumeçô a marvadeza
Todo bicho vem prá cá

Num planto capim-guiné
Pra boi abaná rabo
Eu tô virado no diabo
Eu tô retado cum você

Tá vendo tudo
E fica aí parado
Cum cara de viado
Que viu caxinguelê

Suçuarana só fez perversidade
Pardal foi pra cidade
Piruá minha saqüé
Qüé! Qüé!

Dona raposa
Só vive na mardade
Me faça a caridade
Se vire e dê no pé

Sagüi trepado
No pé da goiabeira
Sariguê na macaxeira
Tem inté tamanduá…

Minhas galinha
Já num fica mais parada
E o galo de madrugada
Tem medo de cantá

Num planto capim-guiné
Pra boi abaná rabo
Eu tô virado no diabo
Eu tô retado cum você

Tá vendo tudo
E fica aí parado
Cum cara de viado
Que viu caxinguelê

 

Outra Vez…

Diz a lenda que, na época que se lançavam LP’s (hoje chamados de vinil), a música de trabalho seria a terceira do lado A (sim, os discos tinham lado A e lado B). Ninguém apostaria que a música de sucesso, que ficaria na história, seria a penúltima música do lado B. Mas essa é a história da música “Outra Vez”…

Segundo Paulo César Araújo, no livro “Roberto Carlos em Detalhes (Ed. Planeta, 2006), Roberto Carlos já gravara algumas músicas dos irmãos Isolda e Milton Carlos, como “Pelo avesso” e “Um jeito estúpido de te amar”, em 1976. No entanto, Milton Carlos morrera em 1977, num acidente de carro.

Pouco tempo depois, em julho de 1977, Isolda estava reunida com amigas, num bar, e estavam relembrando velhos amores do passado, quando Isolda lembrou de um caso de amor antigo, que se chama Nilson Mucini. Narra Paulo César de Araújo:

Lá pelas tantas, as meninas começaram a falar sobre ex-namorados. “Qual foi o maior caso de amor de sua vida?”, perguntou uma delas para Isolda. “Quer mesmo saber? Foi o meu primeiro namorado, o Nilson”, respondeu. Uma outra amiga, que conhecia o caso, provocou: “Se fosse você, já teria telefonado pra ele. Você está solteira e guarda o número dele há muito tempo na sua bolsa. Por que não liga?”. De fato, desde que o namoro dos dois terminara, havia sete anos, eles não mais se haviam falado. Ao longo desse tempo, Isolda casou, descasou e teve dois filhos. Agora estava solteira, e o que teria acontecido com Nilson?

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Pois Isolda apostou com a amiga que tinha coragem de ligar sim.E que ligaria naquele momento do telefone do bar. Isolda ligou, mesmo já tendo passado da meia-noite.O próprio Nilson atendeu e, quando quis saber quem estava falando, Isolda respondeu com outra pergunta: “Qual foi o seu caso mais complicado?”. Nilson não pensou um segundo para responder:”Isolda! Caramba, há quanto tempo!

A música  teria surgido durante do diálogo entre Isolda e Nilson, começando logo pela famoso trecho: “Você foi o maior dos meus casos”… a música foi gravada sem nenhuma pretensão de que fosse um dos dez maiores sucessos de Roberto Carlos, como disse, a penúltima música do lado B.

A canção trata de um amor passado e presente, e por isso absolutamente antitético, em que as dificuldades lembradas apenas reforçam o sentimento de amor. A canção remete a algo proibido, complicado, mas absolutamente prazeroso, sincero e intenso, como todo grande amor deve ser.

É uma canção sem refrão, com letra longa, confessional, e que marcou o disco de Roberto Carlos em 1977.

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Numa entrevista ao site http://www.gumarc.com, Isolda conta um pouco da história da canção:

Isolda

CE – Vamos agora falar de uma música especial na carreira de Roberto Carlos, “Outra vez”.

Is – Outra vez” foi feita logo depois da morte do Milton. Eu fiz a canção e fui para o estúdio com o Sérgio Sá, para gravarmos uma fita demo, para mostrar ao Roberto. Nessa fita havia algumas coisas antigas que eu havia feito com o Milton um pouco antes de ele morrer e apenas uma musica só minha, que era “Outra vez”. Deixei a fita no escritório do Roberto e algum tempo depois liguei para saber se havia alguma novidade. Foi aí que soube que ele havia gravado “Outra vez”. Sinceramente, eu não esperava que o Roberto gravasse essa música, porque é uma letra muito comprida, não tem refrão e não é nem um pouco comercial. Eu quase não mandei “Outra vez” naquela fita. E não é que virou um enorme sucesso!

CE – Foi difícil compor “Outra vez”, esse marco da Música Popular Brasileira?
Is – Não. Até que foi fácil compor “Outra vez”. Um certo dia saí com alguns amigos e começamos a conversar sobre amores antigos. Cada um ia falando do maior romance que teve na vida e eu me lembrei do meu. Aí começou a pintar a letra e também a melodia. Fiz a música até com certa facilidade.

CE – Então você concorda quando Roberto fala, nos shows, que todo mundo já passou por aquela situação?
Is – Com certeza. Acho que todo mundo.

CE – “Outra vez” foi uma música feita para Roberto Carlos gravar?
Is – Não, nenhuma das músicas que faço visa um determinado artista para gravá-la. Eu faço o que sinto naquele momento. São coisas que já passei ou que estou passando, mas tudo é muito sincero. Minhas canções são sempre inspiradas em fatos verídicos. É difícil falar que não se conhece. Acho que usamos a música como terapia, desabafamos no violão, na letra… Quando à “Outra vez”, eu nunca pensei que ela fosse estourar. Eu acho a letra muito pessoal, muito íntima, e que só eu iria entendê-la. Com sinceridade, eu mandei essa música para o Roberto Carlos ouvir apenas porque havia sobrado espaço na fita. Para mim não havia nenhuma chance de ele gravar e é claro que nunca imaginei tal sucesso. Por isso acho que de intuição sou horrorosa.

CE – Para você, “Outra vez” é uma história de amor triste ou alegre?
Is – Algumas pessoas acham que é uma música de fossa mas a letra não fala de separação. A canção conta a história de um grande amor que existiu, e eu a acho feliz, é a saudade que eu gosto de ter, é uma saudade legal, como diz a letra. É uma saudade feliz.

CE – Algumas pessoas até acham que “Outra vez” é do Roberto e Erasmo. Como a autora encara isso?
Is – Sem o menor problema. Nem ligo! Só de ouvir Roberto cantando a minha música já está ótimo, é maravilhoso!

CE – Roberto Carlos mexeu na letra ou na melodia de “Outra vez”?
Is – Alguma coisa na melodia, mas bem pouca coisa. Na letra não mexeu, não tirou nenhuma vírgula. Isso é incrível, perto do que ele costuma fazer.

Você foi…
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci

Você foi…
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples pra mim

Você foi…
O maior dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez.

Você foi…
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu

Você foi…
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez…

Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder…
Ah!

Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem

Você foi!
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer…
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez….

http://www.gumarc.com/entrevista009.html

domingo 03 abril 2011 16:00 , em canções de amor