Conto de areia.

“Contam que toda tristeza que vem da Bahia, nasceu de uns olhos morenos molhados de mar…”

O trecho acima citado vem da música “Conto de Areia”, composição  de Romildo Bastos e Toninho Nascimento que se tornou um fenomenal sucesso na voz de Clara Nunes, em 1974. É um belíssimo samba de roda tipicamente baiano (embora Romildo seja pernambucano, e Toninho, paraense), que remete às velhas canções de Caymmi, da história do pescador que foi ao mar pescar e que nunca volta (me veio a referência à velha frase de Caymmi: “A jangada voltou só…“)

A música tem uma letra longa, cuja inspiração Toninho revelou a Vagner Fernandes, no livro Clara Nunes: Guerreira da Utopia (Ediouro, 2007):

“Eu a compus a partir de uma conversa com um amigo-vizinho baiano, que contava casos que havia vivido na Bahia. Um deles era a história da mulher cujo marido foi pescar e nunca mais voltou. Ela enlouqueceu e passou a andar pelas areias da praia dia e noite em busca do amado. me inspirei nessa história e fiz a letra” 

Conto de Areia - Album by Clara Nunes | Spotify

 Acho a música impressionante, como também é a letra que impulsionou um fenômeno de vendas. Carro chefe do álbum “Alvorecer”, a música  ajudou Clara Nunes a vender mais de 350 mil cópias do disco, em 1974, um absoluto recorde para a época, quando se tinha a cultura de que “mulher não vende disco.

O samba é contado do fim para o começo… “è água no mar, é maré cheia“, quando a morena (não se sabe se é lenda ou se é verdade) carrega consigo e nos seus olhos morenos moilhados de mar toda a tristeza da Bahia. Ela se enfeita na praia, na noite, com lua… enche seu peito de tristeza e promessas… e dança…

Saiba como a Lua e o Sol influenciam as marés – Orla Rio

Faz promessas porque seu amor se fez de canoeiro, e o vento arrastou o veleiro, de modo que Iemanjá levou consigo seu amor (um pouco a partir da história da lenda das sereias)…

No fim, o ser amado (o canoeiro) se despede da moça, diz para ela não esperá-lo porque ele já vai embora, voltar para o reino de Iemanjá, sua senhora, e a recomenda a não olhar mais para os veleiros, porque ele não vai voltar. Afinal, “foi beira mar quem chamou”

Toninho também conta que a letra original era “É lua no mar, é maré cheia”. Quando Romildo foi mostrar a melodia, cantava “é água no mar, é maré cheia”. Todas as vezes que se encontravam, Romildo cantava “É água no mar”, em vez de “É lua no mar”. Toninho explicava para Romildo a relação da lua com o mar, da gravidade, que a lua influenciava nas marés… mas Romildo sempre cantava “é água no mar”. Toninho dizia que o que tem no mar é água, mas, de tanto ver Romildo “errar”, acabou ficando o verso “É água no mar”…

Romildo Souza Bastos, da dupla Romildo e Toninho, fala sobre Clara Nunes e  seus sucessos. - YouTube
Romildo

Em entrevista à TVT, Toninho ouviu a história de um vizinho de sua sogra, que tocava violão, que contou uma história da Bahia, e que tinha uma louca, que andava pelas praias de Amaralina, catando conchas, e a molecada namorava aquela louca. E o baiano foi namorar esta mulher louca, que morava num casebre sobre uma duna. E o baiano se espantou que no casebre da louca não havia móveis, nem cama, nem cadeira, apenas montinhos de conchas que ela catava pelas praias, que ela depositava no piso do casebre. Conta a história que a louca, quanto mais jovem, vivia com um pescador, o qual foi pro mar e nunca mais voltou. E por conta disso, a louca passou a catar conchas na praia

Toninho ficou emocionado com a história. Ficou com a história na cabeça, e transformou em versos, e deu para Romildo musicar.

É uma música triste, cantada numa versão definitiva por Clara Nunes.

Uma curiosidade é que Adelzon Alves, companheiro e produtor de Clara, na época, parecia ter implicado com a música. Toninho, no mesmo depoimento a Wagner Fernandes, disse que Romildo chegou na cara-de-pau e mostrou a canção a Clara, mas Adelzon teria implicado com partes da letra. Uma delas, a letra original dizia “Era um peito só, cheio de promessa e ebó“, que acabou sendo substituída por  “Era um peito só, cheio de promessa era só”. Outra parte, era o verso “E leva pro meio das águas brancas de Iemanjá” , quando Adelzon teria implicado com a expressão “brancas”, que acabou excluída da letra. 

Romildo, no entanto, em entrevista no youtube, conta que mostrou a música para Adelzon, que ficou empolgado com a canção, e pediu para Romildo mostrar outras músicas…

Compositor Toninho Nascimento mostra sua "identidade" em São Paulo -  Vermelho
Toninho

A letra da canção: 

É água no mar, é maré cheia ô
mareia ô, mareia
É água no mar…


Contam que toda tristeza
Que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos
Molhados de mar.
Não sei se é conto de areia
Ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia
Pra gente contar.
Um dia morena enfeitada
De rosas e rendas
Abriu seu sorriso moça
E pediu pra dançar.
A noite emprestou as estrelas
Bordadas de prata
E as águas de Amaralina
Eram gotas de luar.

Era um peito só
Cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa (2x)

Quem foi que mandou
O seu amor
Se fazer de canoeiro
O vento que rola das palmas
Arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas
de Iemanjá
E o mestre valente vagueia
Olhando pra areia sem poder chegar
Adeus, amor

Adeus, meu amor
Não me espera
Porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros
De minha senhora
Desfia colares de conchas
Pra vida passar
E deixa de olhar pros veleiros
Adeus meu amor eu não vou mais voltar

Foi beira mar, foi beira mar que chamou
Foi beira mar ê, foi beira (2x)

sexta 22 julho 2011 04:21 , em Samba

https://oglobo.globo.com/rio/toninho-nascimento-de-belem-do-para-apoteose-na-sapucai-11618096

Nelson Motta e Elis Regina. Uma homenagem… (17 de março )

No dia 17 de  março se comemora o aniversário de Elis Regina. Nascida em 1945, ela fez história nos anos 60/70, partindo dos festivais da canção, do programa O Fino da Bossa, que compartilhava com Jair Rodrigues, para se tornar uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. 

Nelson Motta e Elis Regina | Star Elis
Nelson Motta e Elis Regina

Uma das pessoas que acompanhou de perto a trajetória de Elis foi Nelson Motta. Eu li duas vezes o livro Noites Tropicais, escrito por ele . Na primeira, pude ter certeza que ele é apaixonado por música, e por boa música. Na segunda, ficou mais evidente que ele ama a música, e também como ele fora apaixonado por Elis Regina. Quando falo apaixonado, não me refiro apenas à mulher, mas à cantora, à diva, à música…

Ele conta com entusiasmo cada pedaço da vida de Elis que pôde acompanhar. Começa quando Elis era uma adolescente na década de 60, sobre a influência que Lennie Dale exerceu no seu jeito de cantar. Merece destaque o tempo que passaram juntos, o breve romance e o repentino rompimento. E, por óbvio, não tem como não ficar melancólico quando ele relata o impacto da morte de Elis Regina. É um relato de uma perda pessoal, mais do que uma perda artística… Confesso que foi um dos capítulos do livro que parava e sentia cada palavra ali escrita.

Noites tropicais: Solos, improvisos e memórias musicais por [Nelson Motta]

Muitos anos depois da morte de Elis, Nelson Motta fez uma homenagem à sua amiga e musa, que está no se blog: (www.sintoniafina.uol.com.br). A saudade de um sentimento atual…Segue abaixo:

Feliz Aniversário, Elis!

Querida, Parabéns! Você, como eu, como quase todos nós da turma, já é uma sexagenária! Se bem que alguns estão mais para sexygenários … (RS ) Edu, Chico, Caetano, Gil, Milton, Ivan, João Bosco, Aldir, todos estão pensando com carinho e gratidão em você, que lhes deu as primeiras oportunidades de mostrar sua arte, que deu brilho, cor e profundidade a suas músicas e letras, que deu visibilidade a seus sons e suas palavras. Depois que você foi, durante muito tempo repeti com sucesso a piada: ” Já repararam como a cada nova cantora que aparece a Elis está cantando melhor ? ” Claro, com Cássia Eller e Marisa Monte a piada perdeu a graça. Mas você seguiu melhorando a cada vez que se ouve, as modas e os modismos passam, e seu estilo, seu repertório, seus arranjos não só permanecem como crescem com o tempo. E Maria Rita? Que presente mais maravilhoso você deu a seus fãs com Maria Rita! E que melhor herança uma mãe cantora pode deixar para uma filha que a sua voz? E que voz! Com o tempo, Maria Rita encontrará seu próprio estilo de usá-la, que certamente será muito diferente do seu, mas a voz, a inconfundível voz de timbre cristalino e caloroso, esta seguirá pelo tempo, pela garganta de sua filha. Olha, essa história de vocês duas sempre me comove, é bem sentimental. E sensacional. Maria Rita, mesmo com essa voz e essa musicalidade toda, nunca havia pensado em cantar até os 25 anos. Que surpresa, hein? Fico imaginando você ouvindo Maria Rita com as lágrimas rolando sobre seu sorriso escancarado clássico, que te fechava os olhos, me cotucando com o cotovelo e cochichando, ” Putaquepariu! Como canta essa garota! ( separando bem as sílabas, sem se dar conta de quem ofendia com sua euforia ) Pu-ta-que-pariu! ” ( rs ) Muitas saudades, muitos beijos do amigo e fã N.

 Fontes: www.sintoniafina.uol.com.brNoites Tropicais, Nelson Motta, Ed. Objetiva.

quinta 15 abril 2010 14:38 , em Músicas e Homenagens

Nelson Motta e Elis Regina. Uma homenagem…

Meu coração é a liberdade… Gerônimo e a canção “Eu sou Negão” (Macuxi Muita Onda)

O verão de 1984/85 mudou a história da música brasileira. Foi quando surgiu aquilo que se chamava, na época, de fricote, de deboche, de ti-ti-ti, e que na década seguinte passou a se chamar de axé. 

Mas a consolidação veio em 1986. A Banda Mel soltava seu “Faraó”, e quase que por acaso, Gerônimo acabou fazendo ecoar um grito, que desde a década de 70 o Ilê Aiyê já soltava como bloco afro no carnaval da Bahia: “Eu sou negão”. 

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A música surgiu de um improviso de Gerônimo, na barraca de Juvená em Itapuã, para os congressistas da convenção de uma gravadora que acontecia em Salvador. Na hora da apresentação, Gerônimo improvisou e criou uma cena-dialógo entre o cantor de trio elétrico e o cantor de um bloco afro no Carnaval da Bahia, que faz referência à presença dos negros na Bahia. Sobretudo no carnaval da Bahia, e vem a sua picardia….

O eu-lírico é um cantor de bloco afro em cima de um carro de som… O Ilê Aiyê é uma evidente inspiração.

E o recado é bem dado na parte conversada da canção: 

“E aí chegaram os negros com toda sua beleza, com toda sua cultura, com sua tradição, com toda sua religião, tentada, motivada a ser mutilada pelos heróis brancos da história, e estamos aqui, eles sobreviveram”.

E a partir daí há o conflito sugerido entre as duas grandes forças do carnaval da Bahia: os blocos afro e o trio elétrico (vale lembrar que na década de 80 havia uma queixa dos blocos afro que diziam ter os piores horários para desfilar se comparados com os blocos de trio, questão que remonta ao século XIX…). 

Aparece na música o trio elétrico, com sua música que invade e ocupa todo o espaço… e aí vem o diálogo, em que há o contraste do discurso meio óbvio do cantor do trio e a resposta de afirmação do cantor do bloco afro… e vem daquelas frases típicas… “é nenhuma, rapaz, aqui é boca de zero-nove!” 

“No bum bum bum do seu tambor, e o negão vai cantando assim, pega a Rua Chile desce a ladeira, tá na praça Castro Alves, fazendo seu deboche, transando o corpo, e o negão assume o microfone e na beirada da multidão em cima do caminhão ele fala:

“- Alô rapaziada do bloco esse é o nosso bloco afro vamos curtir agora o nosso som, a nossa levada que é a nossa cultura e segura comigo, eu sou negão, eu sou negão meu coração é a Liberdade/ sou do Curuzu, Ilê, igualdade nagô essa é a minha verdade”.

E de repente aparece ao longe um carro todo iluminado é um trio elétrico.

“-Que é isso meu irmão? Venha devagar, calma, segura essa ai”.

E o cara do trio lá de cima olha:

“-Legal massa, pessoal do bloco afro é uma beleza estar aqui com vocês, vamos levar o som”

E o negão lá de baixo falando. “-Qual é meu irmão, é nenhuma rapaz, aqui é boca de zero nove, é o suíngue da gente, vá, pegue seu caminhão e siga seu caminho que a gente vai seguindo o nosso, e na levada, eu sou negão, meu coração é a Liberdade, eu sou negão, eu sou negão”

A baianidade da música é manifesta e evidente. E o refrão: “Eu sou negão, meu coração, é a liberdade”, de uma simplicidade e de uma beleza, cantado pelo branco, preto e mulato Gerônimo, viria a ser um eco de assunção da Bahia como negra. “Igualdade na cor – essa é a nossa verdade”…

O radialista Baby Santiago, diretor artístico da rádio Itaparica FM, havia gravado o improviso de Gerônimo com pouco mais de 6 minutos de duração.Baby Santiago”executou com exclusividade essa fita na rádio, o que a fez passar, em questão de duas horas, do quinto para o segundo lugar na audiência local, criando uma situação inusitada, na qual os ouvintes ligavam e  manifestavam o desejo de ouvir a composição, enquanto os demais radialistas, surpresos, queriam obter cópia da gravação”.

E de repente a maioria dos baianos, sobretudo aqueles do Recôncavo, viram em si mesmo e na sua terra uma negritude que ultrapassa a cor da pela. A negritude da cultura que perpassa cada esquina da Bahia, na música, na culinária, na linguagem, no carnaval, e os blocos afro são o símbolo dessa manifestação.

A música foi o maior sucesso e virou tema de dissertações e teses. Em depoimento a Marcos Joel de Melo Santos, Gerônimo disse:

E eu quase preto e quase branco, eu senti essa discriminação, talvez com desprezo. Eu estava num momento em que eu não significava nada, para totalmente nada, eu não era nada. Eu não era nem um rádio ligado, eu tava tocando pra a parede, foi então que aí me veio a inspiração, num improviso, e aí eu gritei: – “Eu sou negão!”

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O refrão de Gerônimo mudou a forma de se compreender a expressão “negão”. De pejorativa a orgulhosa, passou a definoir a identidade do negro baiano. E não apenas do negro. 

E o resto é história… 

Fontes: 

http://www.overmundo.com.br/overblog/macuxi-muita-onda-eu-sou-negao

http://tempomusica.blogspot.com.br/2008/12/1980-1989.html

 http://livros01.livrosgratis.com.br/cp133192.pdf

quarta 26 novembro 2014 19:18 , em Musica Baiana

“A girar, que Maravilha”. Parceria de Jorge Benjor e Toquinho

Toquinho e Jorge Ben Jor se tornaram amigos, no final da década de 60. A razão que os aproximou foi o fato de que Toquinho tinha uma namorada – Carolina – cuja prima começou a namorar Jorge Ben Jor.

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Toquinho relata: “Eu tinha uma namorada, a Carolina. E o Jorge Benjor começou a namorar a prima dela”, conta Toquinho. “Saíamos pela madrugada, íamos com frequência ao Patachou, um restaurante da rua Augusta, tocava-se violão, era muito agradável. Criou-se então uma amizade maior entre mim e o Jorge.

Na casa dessa minha namorada, a Carolina, nós ficávamos comendo pão de queijo e tocando violão. Um dia  ele me mostrou um tema musical, e fizemos uma música, que foi Que maravilha.

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Jorge Ben Jor fez a primeira parte:  “Lá fora está chovendo/ Mas assim mesmo eu vou correndo/ Só pra ver o meu amor./ Ela vem toda de branco/ toda molhada e despenteada/ Que maravilha, que coisa linda que é o meu amor”.

eles desenvolveram o restante do tema, e Toquinho fez a segunda parte: “Por entre bancários, automóveis, ruas e avenidas/ Milhões de buzinas tocando sem cessar/ Ela vem chegando de branco, meiga e muito tímida/ Com a chuva molhando seu corpo que eu vou abraçar./ E a gente no meio da rua, do mundo, no meio da chuva/ A girar, que maravilha, a girar, que maravilha”.

Jorge Benjor, numa entrevista em 1972, também falou sobre a canção:

Que maravilha, uma homenagem a uma moça, que eu não conheci, mas eu vi aquela moça tão linda, de branco, embaixo de uma chuva, linda e despenteada, ela parecia tão pura… e daí nasceu a música, e eu encontrei meu amigo mais conhecido como Camaleão, meu amigo Toquinho, e aí nós concluímos a música”

A música, como de costume na época, foi inscrita para um dos festivais da canção da TV Tupi, Feira da Música Popular Brasileira. O desejo era que Gal cantasse a canção, mas ela não tinha disponibilidade de tempo… Assim, ambos apresentaram a música, que ficou em primeiro lugar naquele festival (empatada com “Nada de Novo, de Paulinho da Viola) e foi gravada pelos dois a num compacto compacto que trazia no lado B outra parceria dos dois, Carolina, Carol bela (em homenagem à namorada de Toquinho).

A música tornou-se um sucesso, o primeiro sucesso de Toquinho, que relata: .

Gravamos “Que maravilha” e foi realmente a primeira música minha que fez um grande sucesso. Entrou nas paradas, foi muito tocada no rádio, as pessoas cantavam na rua. Do outro lado do disco tinha Carolina, Carol bela, uma canção também feita por nós. O Jorge Benjor é uma pessoa muito especial, meu amigo até hoje. Tem uma marcante força intuitiva, rítmica e poética”[1]

A música é imagética, narra um encontro na chuva, em que o eu-lírico vai correndo ver a pessoa amada, de branco, molhada e despenteada, que dá a sensação daquele amor descontraído, leve, em que dá vontade de se ver na chuva….

Nos versos seguintes, de Toquinho, completa o cenário urbano, entre bancários, móveis e avenidas, e o casal, alheio a tudo, prestes a se abraçar, e a girar na chuva. Este instante, o instante em que antecede o abraço seguido de um rodopio na chuva, confere uma leveza que justifica o sucesso da canção…

«Toquinho  » Primeiras composições e parcerias»http://www.circuitomusical.com. Consultado em 25 de agosto de 2014

TOQUINHO
Coleção Histórias de canções. De João Carlos Pecci e Wagner Homem. Ed. Leya,

10 Músicas de George Harrison da época dos Beatles

Havia algum tempo em que eu não fazia postagens com listas….

George Harrison talvez seja o Beatle que teve a carreira musical mais rica depois que deixou a banda. Sendo o mais jovem do grupo, ele não tinha muito espaço para compor no inicio da banda, tanto que sua primeira canção a entrar num álbum dos Beatles foi Don’t bother me, já no disco With the Beatles, só gravando a segunda no disco Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band.

Há 76 anos nasce George Harrison, o famoso guitarrista dos Beatles

Há muitas canções que fizeram historia, mas quero aqui registrar dez belas canções de George da época dos Beatles…

Rolling Stone · Quais foram as últimas palavras de George Harrison a Paul  McCartney, Ringo Starr e Olivia Harrison?

1 Don’t Bother Me – With the Beatles (A primeira a ser gravada)

2 While My Guitar Gently Weeps – White Album

3 Something – Abbey Road

4 Here comes the sun -Abbey Road

5 Taxman – Revolver

6 I Want to tell you- Revolver

7 Piggies – White Album

8 Within without you – Sgt. Pepper

9 For you blue – Let it be

10 I me mine – Let it be

O cabrito de Roberto Carlos

Que Roberto Carlos é supersticioso, todos sabem. Que também adora animais, é fato notório. O que muitos não sabem é que, para além das baleias, o animal preferido de Roberto Carlos é o Cabrito.

Segundo Paulo César de Araújo, no seu conhecido e polêmico livro “Roberto Carlos em Detalhes” , o artista, ainda na infância, afeiçoou-se a um cabrito que apareceu perto de sua casa, que ele chegou a alimentar e cuidar. Na narrativa do livro:

“Gosto muito de bichos. Principalmente  do cabrito. É o bicho da minha infância”, revela. De fato, quando Roberto Carlos tinha dez anos de idade, se afeiçoou tremendamente por um pequeno cabrito que apareceu  perto de sua casa. O cabrito foi até batizado por ele, com o nome de Primo, por causa dos personagens do primo pobre e do primo rico, quadro humorístico de grande  sucesso da Rádio Nacional. “æquele cabrito era o primo pobre. Eu o alimentava com muito cuidado e até vi nascer o seu pequeno chifre. Primo era muito meigo e despertou  o amor de todos lá em casa.”

Livro: Roberto Carlos Em Detalhes - Paulo Cesar de Araújo | Estante Virtual

No entanto, a relação com o cabrito chamado “Primo” não durou muito. Não se sabe muito bem o que aconteceu. Continua Araújo no relato:

Cabrito ganha espaço na produção leiteira e como animal de estimação

Mas a relação não durou muito porque tinha gente ali pela redondeza de olho naquele cabrito e as intenções não deviam ser das mais amáveis.  Dito e feito. Numa certa manhã, quando Zunga desceu para mais uma vez alimentar o cabrito, descobriu que Primo tinha desaparecido. “Nunca mais o vi. Primo devia  ser um cabrito cigano. Mas pode ser que o tenham mesmo roubado”, afirma o cantor, que a partir daí nunca mais conseguiu comer carne de cabrito. Sempre que lhe ofereciam  o prato, ele lembrava do Primo e o recusava.

O que se quer – Marisa Monte e Rodrigo Amarante

O dueto com  Rodrigo Amarante (em “O que se quer”) é um dos pontos altos do disco de Marisa Monte, “O que você quer saber de verdade”, em 2011. É uma música gravada em primeira pessoa. Música alegre, leve, descontraída, em que o eu-lírico dialoga com alguém  (que pode ser tanto uma pessoa determinada quanto indeterminada) reafirmando que vai viver o amor, a paixão, o desejo.  

Nesse diálogo, o eu-lírico diz para seu interlocutor que ele pode falar, advertir, escrever, que não vai adiantar, pois de nada adianta dizer que viver aquilo é loucura, besteira, ou noutras bobagens do tipo, pois o eu-lírico está disposto a se entregar, pois, naquela situação, “quem não faria?”

A canção fala de alguém que não vai hesitar em se entregar ao desejo, estando disposto a pagar para ver onde vai dar essa manifestação, mesmo com todas as possíveis advertências e admoestações. 

E não há dúvida de que o ímpeto de se entregar ao desejo é maior, e a certeza de que vai valer a pena superar as restrições de algo certamente complicado, proibido, cheio de perigos, medos e circunstâncias, e não recomendado pela razão. 

E nesse risco, de viver o desejo sem culpa, sem medo daquilo que a sorte, ventura ou destino determinam, e, desta forma “sabe quem quer, sabe quem tem, o que se quer“.

Uma nota interessante sobre esse dueto, é a leveza da composição, cuja maior parte da letra é de Amarante, contrastando com as composições predominantemente melancólicas da época dos Los Hermanos, e com as canções solo de Marcelo Camelo. 

Marisa Monte e Rodrigo Amarante. | Cantores, Musica, Marisa monte
Marisa Monte e Rodrigo Amarante

Rodrigo Amarante canta e toca em ”O que Se Quer”: violão, viola, teclados, baixo, drum machine e percussão;


Sendo a primeira parceria de Marisa e Amarante, ela, numa entrevista que deu a Adriana Calcanhotto, disponível no próprio site oficial da cantora (http://www.marisamonte.com.br/pt/conversas/conversa-com-adriana-calcanhoto), ela conta como se deu essa parceria, que acabou se transformando num dueto…

O Que se Quer - Marisa Monte e Rodrigo Amarante (cover por Bruno Fonseca e  Nicole Della Courtte) by Bruno Fonseca playlists on SoundCloud

Marisa: (…) a música que eu me lembro de ter feito durante o processo foi consequência da minha passagem por Los Angeles, quando encontrei o Rodrigo Amarante. Eu nunca tinha feito nada com ele, mas existia uma vontade mútua. Um dia a gente se encontrou no estúdio porque a gente gravou uma música para o último Red Hot + Rio, “Nu com a minha música”, de Caetano Veloso e Devendra Banhart. Durante esse tempo em que a gente estava no estúdio, pintou a ideia de uma música. Ela já veio com algumas palavras, uma coisa que a gente fez junto na hora, já com alguns pedacinhos de letra. Depois, ele continuou sozinho. Quando ele veio ao Rio, ele trouxe o que ele tinha feito. Aí, demos aquela arredondada e eu achei que ela tinha a ver com o resto do disco todo. Ela fala sobre saber o que se quer e sobre pagar o preço do que se quer, mesmo parecendo loucura para todo mundo em volta. A música é na primeira pessoa e ela diz: “Vá, pode falar, pode escrever, eu vou me entregar”. É sobre o reconhecimento e a conquista do desejo.

Bem, se alguém quer viver algo que sua sensibilidade diz ser especial, e sabe que ouvirá conselhos “razoáveis” em sentido contrário, recomendo que se escute a canção “O que se quer”… talvez seja o empurrão que o desejo precisa para se tornar real… e não é que pode valer a pena? 

A letra: 



Pode falar
Pode escrever
Eu vou me entregar
No meu lugar
Quem não faria
Diz que é loucura
Diz que é besteira
Mas eu não vou ligar
Não tente entender
E o tempo dirá
A sina é sonhar
Eu pago pra ver
Qual meu lugar
Que a vida é um dia
Um dia sem culpa
Um dia que passa
Aonde a gente está
Mas se eu tenho tanto a perder
Eu perco é o medo
Do que a sorte lê
Sabe quem quer
Sabe quem tem
O que se quer 

Pérola Negra, te amo, te amo…

“Pérola Negra”, de Luiz Melodia, é uma dessas músicas atemporais. Como num diálogo do eu-lírico à pessoa amada, a letra mistura uma série de conselhos e exortações, em que pede que o objeto do desejo tente fazer algumas coisas, muitas das quais com o objetivo de despertar empatia “tente passar pelo que estou passando…/ tente usar a roupa que estou usando”

E continua com um pedido em que a pessoa amada diga ao eu-lírico, seja com sangue escrito num pano, seja num quadro em palavras gigantes… “Pérola Negra, te amo, te amo”, embora o próprio eu-lírico suscite dúvidas se mesmo ama…

Muito se diz sobre quem seria a inspiração da canção, embora pareça, pela letra, que o “Pérola Negra” é o próprio Luiz Melodia. A lenda mais conhecida é que seria um travesti que seria apaixonado por Luiz.

Numa entrevista concedida a José Mauricio Machline, no programa “Por Acaso”, em 2003, ele afirmou:

Luiz Melodia: no dia seguinte, o seguinte falhou – M.O.V.I.N [UP]

Era um travesti muito amigo, muito amigo mesmo. Edilson, não é vivo hoje . e quando eu compus a música, o nome era “My black, meu nego”. O Waly Salomão era muito meu amigo –   como é até hoje – e estava sempre lá no São Carlos onde fui nascido e criado, onde vira e volta ainda visito meus amigos e tal. Ele deu a ideia de pôr o nome do Pérola Negra que era esse travesti né. E daí por diante depois que a música saiu foi sucesso, aconteceu na voz de Gal Costa e enfim ficou conhecida, e aí começou esse papo que eu tinha feito essa música pro Edilson que é esse travesti o Perola Negra no caso.

Mas a história está bem contada no livro que Toninho vaz escreveu sobre Luiz Melodia, chamado “Meu Nome é Ébano”

Foi nessa época (1969) que Luiz compôs a música que representaria um salto de qualidade nas suas composições, algo bem mais elaborado, tanto na letra quanto da melodia. A música foi batizada por ele de “my black, meu nego”, referência ao estilo de certa moça para a qual ele direcionava seus olhares apaixonados. A fonte de inspiração se chamava Marlene Selix, tinha 15 anos e morava na Freguesia, Zona Norte da cidade (Luiz tinha 18 anos na época). Era sobrinha de Antonio, colega de farda de Luiz no quartel. Um dia, Luiz foi conhecer a família do amigo e… aconteceu.

Mas há controvérsias, pois outras duas mocinhas, de nome Rosângela, também foram apontadas por amigos como as verdadeiras pérolas negras. E havia também uma terceira hipótese, um travesti do Estácio chamado pérola negra, que teria inspirado o nome.

Mas a inspiração verdadeira para a música era mesmo a Marlene da Freguesia, como confidenciou Luiz ao programa Fantástico.

Numa entrevista no Fantástico, Luiz Melodia recordou a composição. “Pérola Negra é uma mulher. Mas tinha composto pra uma menina que eu namorava na época em que estava servindo o Exército. A mulher brasileira é uma fonte, posso dizer assim, de inspiração em cinquenta por cento das minhas composições”, disse.

Para o Jornal “o Dia”, em 2013, Melodia disse que compôs “inspirado por uma menina com quem eu saía quando tinha uns 18 anos. Mas eu era o segundo cara. Quando o namorado dela chegava, eu tinha que sair correndo pelos fundos”.

Já em 1970, Luiz tocou, Waly Salomão ouviu a música, adorou, mas foi incisivo em relação à letra: Não precisa ser em inglês. Deve se chamar, Pérola Negra, como está no refrão.

LUIZ MELODIA- PÉROLA NEGRA (ORIGINAL) - YouTube

Waly apresentou Luiz Melodia a Gal Costa, que se impressionou com o talento de Luiz e pediu uma canção a ele.

75 Anos de Waly Salomão — Rádio Senado

Ele então, compôs para Gal a canção “Presente Cotidiano”, cuja letra foi vetada pela censura federal na época. Assim, Waly sugeriu e a música de Luiz melodia escolhida foi “Pérola Negra”, que foi inserido num dos shows icônicos de Gal: “Fa-tal: Gal a todo vapor”.

Presente cotidiano (feat. Gal Costa) - Luiz Melodia - Video - Music Store

Embora Ângela Maria tivesse gravado Pérola Negra em 1971, foi com a voz de Gal que Luiz se torou conhecido,  quase quando estava desistindo da música…

Pro dia nascer feliz…

“Pro dia nascer feliz” pode ser considerada a música que lançou o Barão Vermelho ao estrelato. Catapultada pela gravação de Ney Matogrosso, e definitivamente consagrada quando executada pelo Barão Vermelho no Rock in Rio, em 1985, a canção tem uma letra e uma história curiosas…

Pro Dia Nascer Feliz - song by Barão Vermelho | Spotify

No livro “Cazuza: preciso dizer que te amo”, conta-se um pouco da história da canção.

Cazuza- “A noite é uma opção de vida. Gosto de acordar tarde e dormir com o sol nascendo. Por isso, ‘Pro Dia Nascer Feliz’ é a história da minha vida.

Frejat – “É claramente a história de uma trepada que durou até o dia seguinte. Não tenho a menor ideia de com quem foi. E nem em que noite isso aconteceu… Mas nós dois sabíamos que essa música ia ser boa. Já pela letra no papel, sabíamos que ela iria funcionar.”

Cazuza – “Tem gente que se irrita porque eu canto que todo mundo vai pegar a sua pasta e ir pro trabalho de terno. E eu vou dormir depois de uma noite de trepadas incríveis. Mas o dia-a-dia não é poético. Todo mundo dando duro e a cada minuto alguém é assaltado ou atropelado. Então, vamos transformar esse tédio numa coisa maior. Li uma vez que você vive não quantas mil horas e pode resumir tudo em apenas cinco minutos. O resto é apenas dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço… Isso é muito pouco na vida. Mas, para mim, é tudo. Eu prefiro não acreditar no Day after, no fim do mundo, no apocalipse. Um dia, ainda vou andar na nave espacial Columbus. Bêbado, lógico. Mas vou andar.

E o espírito da música é justamente este. De uma diversão que começa junto com a noite, em que a sessão coruja começa procurando vaga no vai e vem dos quadris. Notadamente uma grande farra durante a noite que vara a madrugada.

Aventuras na História · O intenso caso de amor de Cazuza e Ney Matogrosso

Mas a história da música – e talvez, do próprio Barão Vermelho, se não fosse a  mesma se não fosse Ney Matogrosso.

Frejat – “Foi importante que as pessoas começassem a procurar o disco da gente. O Barão era conhecido como grupo maldito. De repente, nosso segundo disco teria passado em branco se o Ney não comprasse essa barra.”

Ney conta um pouco desta história, na sua Biografia “Vira-lata de raça”

Conta que ele e Cazuza tiveram um breve romance em 1979, quando ele era o fotógrafo da Som Livre, e que durou apenas 3 meses. Quando o Barão Vermelho surgiu, Cazuza presenteou Ney com um disco. Ele adorou “pro dia nascer feliz e resolveu gravá-la.

Cazuza conta a história:

“O Ney chegou lá em casa, tocou a campainha. A empregada atendeu me acordou dizendo: ‘Ney Matogrosso está aí’. Eu resmunguei: ‘Traz a Gal Costa também’. E eu continuei dormindo. O Ney foi ao quarto e começou a bater na minha cara gritando para eu acordar e ganhar dinheiro. Ele ouviu o disco ‘Barão Vermelho 2’ e resolveu gravar ‘Pro Dia Nascer Feliz’. Eu disse: ‘Não. Pelo amor de Deus, é nossa música de trabalho. Grava outra’. Ele bateu pé. E acabou sendo nossa fada-madrinha. O Ney provou que o Barão é viável. E gravou o mesmo arranjo. Discutiu com a gravadora, que não queria botar a música de trabalho no disco dele, e soltou na rua”.

E a música ganhou o embalo necessário que catapultou o sucesso do Barão Vermelho…

“Aquele preto que você gosta” – A amizade de Caetano e Gil e o Axé Music

A amizade entre Caetano e Gil é algo raro na Música Brasileira. Amizade de mais de 50 anos, de duas grandes referências da música brasileira. História recheada de episódios marcantes, como o Movimento Tropicalista, a prisão em comum, o fato de terem casado com irmãs (Dedé e Sandra Gadelha), o exílio em Londres, enfim: trata-se de uma história de admiração recíproca.

Um dos  episódios mais interessantes ocorreu quando Caetano e Gil ainda não tinham uma relação próxima de amizade, no começo da Década de 60.

DOCUMENTÁRIO SOBRE A PRISÃO DE CAETANO VELOSO LEMBRA UM INFERNO PELO QUAL  EU PASSEI 4 MESES DEPOIS - Jus.com.br | Jus Navigandi

Na ocasião, segundo Caetano revela em seu livro Verdade Tropical (Cia das Letras, 1997, p. 283)

Por volta de 62, 63, vi na TV Itapoan (a televisão só chegara a Salvador em 60) um rapaz preto que cantava e tocava violão como os melhores bossanovistas. Sua musicalidade exuberante, sua afinação, seu ritmo e sua fluência me entusiasmaram. Era excitante que pudesse haver por perto alguém tão especial. A TV dava a ilusão de distância, mas eu pensava, com o coração batendo, que, dado o tamanho da cidade – e, sobretudo, do grupo de pessoas da classe artística ou mesmo da classe média -, era provável que eu encontrasse em Salvador esse genial músico de sorriso alegre e sobrancelhas bem desenhadas. Minha mãe, que sempre gostou de música – e sempre gostou que eu gostasse de música -, me ouviu elogiá-lo, e, toda vez que ele aparecia na televisão, me chamava para vê-lo.

Em seguida o mote que virou canção:

“Lembro com muito gosto o modo como ela se referia a ele. Pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: ‘Caetano, venha ver o preto que você gosta’. Isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo. Era como isso se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma bênção, adensasse sua beleza.

73 curtidas, 3 comentários - Danilo Rodrigues Dutra (@danilinho) no  Instagram: “Caetano e Dona Canô ❤ #ArquivosDaUns” | Music history, Back in  the day, Music

Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. Era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta.” –

O Livro “Verdade Tropical” foi editado em 1997.  Antes mesmo disso, a história já era conhecida.

À Primeira Vista - Lyrics and Music by Daniela Mercury arranged by Smule

Neguinho do Samba, o grande maestro do olodum, transformou este episódio num samba de roda, ou se quiserem, numa Axé Music, que foi gravado por Daniela Mercury no disco “Feijão de Corda”, em 1996.

Neguino de SambaNeguinho do samba

O episódio em que Dona Canô, de forma tão natural e direta, chama Caetano para ver na TV “o preto de você gosta” termina por ser um prelúdio de uma história que mudou a música brasileira.